Archive for the ‘Curiosidades’ Category

Minha história com as vacas.

Estava pensando um dia desses sobre minha história com as vacas.
Quando eu era menina tinha medo delas.
Passávamos as férias de verão em Minas, na casa de meus avós maternos.
Ficávamos um pouco na cidade (do tamanho de um ovo de codorna) e um pouco mais a fazenda.
Eu gostava de ficar na fazenda e brincar no terreiro de café.
De manhã bem cedinho a criançada ia até o curral com suas canecas para toma um leitinho com espuma.
Tomei muitas canecas de “espuminha”, sem pasteuriza ou ferver, tirado ali no curral, direto na caneca com açúcar. Não me lembro de ficarmos doentes por isso.
Mas esse era meu contato mais próximo com as vacas.
Um dos meus tios tinha um touro na fazenda que chamava Bayard e ra tido como muito bravo.
Um dia foi uma correria só. “Todo mundo pra dentro de casa que o Bayard fugiu!!!” Ui, acuda!
Assim eu fui crescendo sem chegar muito perto das vacas. De vez em quando ia dar uma espiadinha nos bezerros pequenos.
Meu pai chegou a ter um sítio em Morretes (cidade próxima ao litoral no Paraná) e para lá levou três bezerros que ganhou de um outro tio lá de Minas. Trouxe os três na camionete. Uma viagem que fez história na família!
Nunca cheguei perto dos bichinhos, até porque não gostava muito de ir pro sítio que tinha mosquito, vacas, besouros, e tantos outros bichinhos!
Bom, o tempo passou, eu cresci, resolvi fazer o curso de Agronomia, me formei, casei e tive meus filhos.
A essa altura já tínhamos a Chácara Boa Vista.
Por volta de 1993/1994 meu pai resolveu que iria criar vacas de novo. Escolheu a raça Jersey por ser um animal pequeno, que come pouco e produz bom leite com bom teor de gordura (ótimo para fazer manteiga).
Chegamos a ter oito vaquinhas aqui e uma de nossas bezerras foi para uma exposição e até ganhou uma medalha.
Nessa época produzíamos leite, queijo frescal e coalhada. O queijo daqui tinha o registro número 001 no Serviço de Inspeção Municipal (SIM) de Campo Largo.
Nessa época eu ainda não era bem amiga das vacas e quem ajudava meu pai aqui na chácara era meu irmão mais novo que ainda era solteiro.
Em 1995 papai acabou encerrando as atividades e vendendo as vacas.
A vida foi seguindo e no ano 2000 fiz um curso de Agricultura Biodinâmica.
Quando o curso acabou começamos a participar de um grupo de estudos com produtores biodinâmicos de municípios da região metropolitana de Curitiba.
Uma das produtoras tinha uma vaca com a filha e mais uma novilha, Sonora, Brisa e Serena.
Ela estava querendo vender e nós compramos as três.
Eu já estava morando aqui na chácara e foi aí que comecei a minha amizade com as vacas.
Aprendi a ordenhar primeiro à mão mesmo. Afinal era só uma vaca e não valia à pena religar todo o equipamento de ordenha.
Depois a novilha teve sua cria e resolvemos reisntalar a ordenha mecânica, mas continuou por minha conta o serviço. Meu pai acompanhava todas as ordenhas mas dizia que já não tinha mão para ordenhar.
Quando meu pai adoeceu levamos as vacas para a chácara de uns amigos e por lá elas ficaram pois meu pai logo faleceu.
Passei um tempo quieta mas os filhos começaram a pedir por um leitinho como no tempo do vô e aí comprei uma vaca.
Era mestiça, dava coice e só deixava ordenhar se estivesse com o pé preso. Uma vizinha veio me ajudar por vários dias até que eu criei coragem e resolvi assumir o compromisso.
Essa vaquinha ficou aqui mais ou menos um ano e acabei trocando ela pela Miucha.
Agora tenho aqui na chácara: Miucha (mestiça) e seu filho Barnabé, Bárbara e sua filha Aurora, Yasmin e seu filho Alfredo, Cindy e Escudera (todos Jersey) e quando me vejo andando pelo meio deles, encarando alguns coices da Escudera e da Miucha fico pensando em como a vida é.
Nunca me imaginei fazendo isso mas, aqui estou eu, com minhas vaquinhas e muito feliz!

Segundo extra em 2008

Com segundo extra, 2008 será o maior ano em quase 2 décadas.

Quem não vê a hora de o ano acabar vai precisar de um pouco mais de paciência: as autoridades internacionais responsáveis pelo controle da hora mundial decidiram que 2008 terá um segundo extra.

No Brasil, onde a hora oficial é controlada pelo Observatório Nacional (ON), o último minuto das 21h de 31 de dezembro terá 61, e não 60, segundos.
“O ajuste é necessário para colocar o tempo atômico de acordo com a rotação da Terra, que não é uniforme”, explica o chefe da Divisão de serviço da Hora do ON, Ricardo José de Carvalho. “Em 2005, por exemplo, foi preciso fazer um ajuste para compensar os efeitos do tsunami” que atingiu o Oceano Índico no final de 2004 e acabou desequilibrando um pouco a Terra.

A hora oficial em todo o mundo é controlada, desde 1967, por relógios atômicos, que usam como base para medição do tempo não os movimentos do planeta ou do Sol, mas os ciclos da radiação produzida por certos átomos. A definição oficial de segundo é o do tempo consumido em 9.192.631.770 oscilações da radiação característica de um átomo de césio 133.

Carvalho explica que essas correções para sincronizar os relógios atômicos com o tempo astronômico ocorrem desde 1972, e que se dão, historicamente, a cada ano ou, às vezes, a cada seis meses. “O objetivo é manter sempre a diferença entre o tempo atômico e o tempo da rotação em menos de um segundo”.
“A correção é feita quando a diferença acumulada chega a um segundo, e até 2005 nenhuma havia sido necessária por sete anos”, diz ele. Até hoje, já foram acrescentados 33 segundos aos relógios atômicos, por conta dos atrasos da rotação da Terra. O segundo intercalado de 2008 será o trigésimo quarto.

Além de contar com o segundo intercalado, 2008 também foi bissexto – teve um dia a mais, 29 de fevereiro e, por isso, será o mais longo ano desde outro ano bissexto que também recebeu seu segundo extra, 1992. Até hoje, quatro anos bissextos tiveram, também, um segundo intercalado.

Para a população em geral, a transição será suave: redes de computador e operadoras de telefonia celular geralmente sincronizam seus horários com relógios atômicos, e pegarão o segundo intercalado naturalmente. Para quem quiser precisão absoluta também em casa, o ON oferece, para download, um programa de computador que permite a sincronização do relógio interno da máquina com a hora oficial brasileira.

Mas nem todos os relógios de alta precisão do mundo ganharão o segundo extra, diz Carvalho. “Os relógios do GPS (Sistema de Posicionamento Global), nos satélites, não serão alterados. Os receptores, aqui na Terra, é que farão o ajuste”.

(*Fonte: Carlos Orsi**/ Estadão Online) – Ambiente Brasil -Notícias

Curioso !!!!!!

Recebo diariamente o Jornal Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br) e hoje estava uma “mensagem”, que anexo a seguir, cujo teor me chamou a atenção quanto à visão que temos da cidade e do campo.

Sou moradora na área rural, mas frequento e convivo com pessoas da cidade, por isso realmente entendo bem o que o “Zé” tá falando pro “Luis”.

18 / 11 / 2008 Carta do Zé agricultor para Luis da cidade

Luciano Pizzatto (*)

Luis,

Quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né, o do sapato sujo. A professora nunca entendeu que tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi na ida e volta e o sapato sujava.

Lembra? Se não, sou o Zé com sono… hehe. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada ia dormi lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhá as vaca às 5h30 toda manhã. Dava um sono. Agora lembra, né Luis?

Pois é. Tô pensando em mudá ai com você.

Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você Luis, e teus amigo ai na cidade. To vendo todo mundo fala que nóis da agricultura estamo destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sitio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que pará de estuda) fica só a meia hora ai da Capital, e depois dos 4 km a pé, só 10 minuto da sede do município. Mas continuo sem Luz porque os Poste não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falo que tenho que faze uma outorga e paga uma taxa de uso, porque a água vai acabá. Se falo deve ser verdade.

Pra ajudá com as 12 vaca de leite (o pai foi, né …) contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas também veio outro homem aqui, e falo que se o Juca fosse ordenha as 5:30 tinha que recebe mais, e não podia trabalha sábado e domingo (mas as vaca não param de faze leite no fim de semana). Também visito a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei !) estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodi (não entendi ?). A comida que nóis fazia junto tinha que faze parte do salário dele. Bom, Luis tive que pedi pro Juca voltá pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio protege ele, não sei se tava junto.

Na Capital também é assim né, Luis? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranquila. Você não deixa ela morá nas tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisa. É tudo igual aí né?

Mas agora, eu e a Maria (lembra dela, casei ) fazemo a ordenha as 5:30, levamo o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, se não chove. Se chove, perco o leite e dô pros porco.

Té que o Juca fez economia pra nóis, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora eu e Maria temos sobrado dois salário por mês. Melhoro. Os porco não, pois também veio outro homem e disse que a distancia do Rio não podia ser 20 metro e tinha que derruba tudo e fazer a 30 metro. Também colocá umas coisa pra protege o Rio. Achei que ele tava certo e disse que ia fazê, e sozinho ia demorá uns trinta dia, só que mesmo assim ele me multo, e pra pagá vendi os porco e a pocilga, e fiquei só com as vaca. O promotor disse que desta vez por este crime não vai me prendê, e fez eu dá cesta básica pro orfanato.

O Luis, ai quando vocês sujam o Rio também paga multa né?

Agora a água do poço posso pagá, mas to preocupado com a água do Rio. Todo ele aqui deve ser como na tua cidade Luis, protegido, tem mato dos dois lado, as vaca não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabo …. Só que algo tá errado, pois ele fede e a água é preta e já subi o Rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo ai da tua terra.

Mas vocês não fazem isto né Luis. Pois aqui a multa é grande, e dá prisão. Cortá árvore então, vige. Tinha uma árvore grande que murcho e ia morre, então pedi pra eu tira, aproveitá a madeira pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu ai do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 mes, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi tirar, e veja Luis, no outro dia já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez me prende.

Tô preocupado Luis, pois no radio deu que a nova Lei vai dá multa de 500,00 a 20.000,00 por hectare  e por dia da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por 500,00 e vi que perco o sitio em uma semana. Então é melhor vende, e ir morá onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa ai. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazê nada errado, só falei das coisa por ter certeza que a Lei é pra todos nois.

E vou morar com vc, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usá o dinheiro primeiro pra compra aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sitio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinha, e ai na cidade, diz que é fácil, é só abri e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminoso aqui da roça.

Até Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte até eu vendê o sitio.

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desiqual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)

* É engenheiro florestal, especialista em direito socioambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.

Jornal Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br)

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